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DE CUIDADOS
Aspectos
médicos de acidentes com raia
Os acidentes com as raias têm
dois aspectos médicos importantes cujos efeitos
costumam atuar em conjunto: o trauma provocado
pela penetração do aguilhão retroserrilhado
e a inoculação da peçonha, facilitada pela
lesão. O trauma provocado
pelo aguilhão é puntiforme
ou lacerante, muitas vezes profundo, e pode
ocasionar graves conseqüências. A penetração
do espinho, grande e serrilhado, por si só
provoca danos extensos e dolorosos, muitas
vezes com abundante sangramento. Além da provável
inoculação de peçonha, existe ainda a possibilidade
do aguilhão, ou pedaços do mesmo, permanecerem
na lesão, agravando-a. Estudos indicam que
em cerca de 5% dos acidentes ocorre a retenção
de fragmentos do aguilhão na lesão.
As peçonhas de todas as raias são similares
e contêm várias substâncias tóxicas como serotonina,
nucleotidase e fosfodiesterase. Seu efeitos
sistêmicos costumam afetar os sistemas
cardiovascular (vasodilatação, vasoconstrição,
isquemia, lesão no músculo cardíaco), arritmia,
parada cardíaca e respiratório. Além disso,
a peçonha possui poderosa ação local de necrose
tecidual.
A
dor, imediata, intensa e persistente, com
características cortante, pulsátil, espasmódica
ou latejante é o sintoma inicial. É seguida,
usualmente, por alguns dos sintomas gerais
relacionados a seguir: hipotensão ou hipertensão
arterial, arritmias - dentre elas a taquicardia
é a mais freqüente, dor de cabeça, artrite,
dores abdominais, náuseas, vômitos, diarréia,
febre, sudorese, tremores, fraqueza, vertigem,
convulsão, linfangite, parestesia, paralisia
muscular e choque, podendo até ocorrer
o óbito.
A área lesionada costuma apresentar uma aparência
pálida inicial e, posteriormente, pode tornar-se
cianótica e então hiperêmica. Eritemas e edemas
regionais podem acometer todo o membro atingido.
São comuns as necroses locais de tecido e
as subseqüentes infecções secundárias com
abscedação, muitas vezes crônicas por várias
semanas ou meses, que deixam cicatrizes indeléveis.
Apesar de não documentadas, as reações alérgicas
podem acontecer.
Embora as lesões ocorram com maior freqüência
nas pernas e pés, resultado de uma pisada
no animal, há casos registrados de lesão no
tórax com fatalidade. A penetração do aguilhão
em qualquer parte do tronco ou cabeça é considerada
uma grave emergência médica devido às hemorragias
internas não controladas, à inexorável necrose
tecidual das vísceras ou órgãos vitais atingidos
e inoculados com peçonha e à infecção secundária.
A literatura médica possui registros de 17
mortes em todo o mundo atribuídas a acidentes
com raias.
Deve-se ter em mente que a maioria das raias
peçonhentas(famílias: Myliobatidae, Rhinopteridae,
Dasyatidae e Gymnuridae) envolvidas em acidentes
com o homem ficam, de forma usual, deitadas
no fundo parcialmente enterradas e cobertas
por uma
camada de areia ou lama, o que torna difícil
sua visualização. São, por isso, perigosas
para as pessoas que costumam andar dentro
da água nas áreas costeiras e rasas habitadas
por elas.