Para melhor conhecermos o Candiru,
vamos transcrever um trecho do livro Dicionário de Animais
do Brasil, de Rodolpho Von Ilhring, que por seu relato
não deixa dúvida sobre este peixe, chamados cientificamente
de Vandellia cirrhosa. Diz ele: “Muito perigosa é a mania
do Candirú que procura penetrar na abertura urogenital dos banhistas.
Não
só este fato foi várias vezes testemunhadas por médicos amazonenses,
chamados a proceder a difícil extração, como também a população
ribeirinha, temendo o candiru, toma providências para evitar
acidentes dessa natureza, aos quais principalmente as mulheres
estão mais sujeitas. Com evidente exagero os homens temem, até
urinar na água dos rios habitados por candirus, porque estes,
dizem eles, poderiam mesmo deste modo subir e penetrar.
O fato é que os etnógrafos têm
assinalado que em varias regiões amazônicas da Guianas, os índios
protegem as partes pudentas, de forma a evitar acidentes, entre
os quais os mais temido é o Candirú.
O tamanho que esse peixinho atinge é 70-80mm, mas os exemplares
de 40mm tem apenas 4mm de diâmetro e deste modo lhes é fácil
insinuar-se de forma a penetrar completamente na cavidade. E
o pior é que peixes desta família têm numerosos espinhos na
região opercular e estes, ao se tentar a extração, cada vez
mais se encravam nas carnes, provocando grande hemorragia
Algumas espécies penetram nas
guelras dos grandes peixes como o surubim, e aí facilmente obtém
sangue em abundância; outras espécies atacam a região anal de
peixes maiores e, lanhando as carnes, chegam a produzir grandes
chagas”.
De acordo com o relato
de Von Ilhring, creio que devemos tomar o máximo cuidado
quando estivermos em algum rio da região amazônica. Pior ainda
é saber que o candiru e outros de sua espécie são encontrados
em rios de todo o Brasil.
Note este texto extraído do
site: Clínica de Urologia Dr. Anoar Samad
Caso clínico: "...Paciente de 23 anos, sexo masculino, procura
o serviço de urgência com extrema dificuldade para urinar e
sangramento pela uretra, com história de que há 3 dias sofrera
um ataque por um peixe da região amazônica conhecido pelo nome
de CANDIRÚ e que o mesmo havia penetrado em sua uretra quando
estava urinando dentro do rio, referia-se que tentou segurá-lo,
mas era muito liso e parecia ser de pequeno tamanho.
Exame físico: O paciente se apresentava descorado, com febre,
forte dor à manipulação do pênis, retenção urinária,
sangramento pelo pênis e grande inchaço de bolsa escrotal. Encaminhado
ao centro cirúrgico, e, sob anestesia, realizamos cistoscopia
(endoscopia da uretra e bexiga) para diagnóstico e documentação
do caso. Identificamos que o peixe era de grande tamanho ocupando
toda a uretra anterior e com impactação perto do esfíncter urinário
ou músculo que controla a urina (provavelmente, enquanto vivo
o peixe tentou penetrar na bolsa escrotal, explicando o importante
inchaço da mesma). Pensamos em abrir o períneo e retirá-lo por
esta via, mas conseguimos retirá-lo por via endoscópica...".