Os pés na areia, o vento no rosto, o som das ondas, o canto das aves marinhas, enfim, um relacionamento estreio com a natureza que se consuma quando sente-se a ponta da vara curvar-se e começa a briga para recolher a linha sem deixar o prêmio escapar no recolhimento, a adrenalina sobe, o coração acelera, o suor escorre pelo rosto até que chega na areia o troféu. Essa é a Pesca de Praia.

Praticada ao longo de toda a costa brasileira a Pesca de Praia vem aumentando seu número de praticantes, sejam aqueles em busca de umas horas de lazer a sós com a praia e seus mistérios, ou com a família em um dia de Sol a beira mar, ou competindo nos mais varidos torneios de pesca e gincanas. Seja filiado a um Clube de Pesca ou por iniciativa pessoal o pescador hoje conta com uma infinidade de materiais específicos para esta modalidade de pescaria a um custo acessível.

Para iniciar na Pesca de Praia os materiais iniciais não necessitam, obrigatoriamente, ser de marcas de ponta, até porque é comum, no início, cometer erros no manuseio e trabalho do equipamento e danificá-lo. Porém, a questão do valor é algo pessoal, há material para todo tipo de gosto e preço. Um kit básico para iniciante é composto de: vara, molinete, chumbada, chicote, anzol, linha de nylon, caixa de pesca, alicate, espera, secretária, tesoura, faca, fio elástico, caixa térmica, toalha de pano.

Vara

As varas podem ser telescópicas ou particionadas, com ação ultra-rápida, rápida, média e lenta. O que vai determinar a ação da vara de pesca é o quanto sua ponta curva-se quando sobre ela é aplicada uma força. Outro fator observado nas varas é o blank, que nada mais é do que o material com que se confecciona o corpo da vara, hoje existem uma gama de composições para formar o blank, carbono, grafite, fibra composta, etc. Indica-se o carbono por ser um material bem leve, o que proporciona um maior conforto na hora da pescaria. Quanto a capacidade de arremessar de uma vara de pesca chamamos de casting. O casting é o elemento que vai definir qual a massa da chumbada que poderemos associar a vara. Normalmente o casting vem marcado no blank e deve ser respeitado para não causar danos ao material e acidentes no trabalho da vara de pesca. Passadores, os passadores são os locais por onde a linha passa do molinete até a ponta da vara, podem ser em vários materiais: alconite, sic, alumínio, etc. Para iniciar na Pesca de Praia indica-se uma vara de três partes, em carbono ou fibra composta, com comprimento de 3,60m a 3,90m, casting até 200g. Com o tempo e a experiência essa vara pode variar de tamanho para mais e/ou para menos dependo do objetivo do pescador.

Molinete

O molinete tem que se adaptar perfeitamente a vara, ou seja, ele tem que formar um conjunto harmonioso com a vara. Seu peso tem que ser considerado em relação ao conjunto que faz com a vara, um molinete muito pesado pode deixar o conjunto desequilibrado e tornar a pesca desconfortável. Outro detalhe a ser observado é o tamanho do molinete que deve ser coerente com o tamanho da vara. Indica-se para uma vara de 3,60m um molinete de tamanho médio com relação de recolhimento de 4.1:1, já é o suficiente para iniciar. Um molinete de PDP tem que possuir capacidade de arremessar a isca, visto que o arremesso é o que vai levar a isca ao ponto que o pescador deseja.

Chumbada

Na pesca de praia as chumbadas mais utilizadas são a pirâmide, carambola e beachbomb, devido a sua capacidade aerodinâmica, favorecendo ao aremesso. O que vai definir o formato e massa da chumbada são as condições do local da pesca: correnteza, vento, ondas, etc. Lembrando que a massa da chumbada a ser colocada na vara vai estar limitada pelo casting, que deve ser observado rigorosamente. Uma dica útil é começar a pescaria com as chumbadas mais indicadas para arremesso, as carambolas, torpedo, gota d'água, beachbomb e, caso as condições do mar obriguem, utilizar as pirâmides e aranhas que proporcionam uma ancoragem melhor da linha mas prjudicam o arremesso.

Chicote

Existem os chicotes com pernadas fixas e pernadas de saque. O mais prático é o chicote com as pernadas de saque, pela praticidade de troca rápida das pernadas de anzol. Este tipo de chicote é composto por rotores e miçangas presas por nós. Nos rotores é onde se prende a pernada de anzol, também por meio de miçangas. Porém não existe uma receita nos chicotes, é uma escolha pessoal. Os chicotes com rotores são indicados pois evitam, em muitos casos, que a pernada embole no chicote.

Anzol

Os anzóis são algo de escolha pessoal. Existem uma gama de marcas e modelos de anzóis, os quais podem apresentar os mais variados formatos e tamanhos. Os anzóis podem ser de pata ou olho. O importante a ser observado no anzol é que ele deve ser bem amolado para que a fisgada seja certeira. O tamanho do anzol deve ser compatível com o tamanho do peixe. Um detalhe importante a chamar a atenção é o tamanho do peixe que é determinado pela Lei IBAMA que estabelece os tamanhos mínimos de captura para cada espécie de peixe.

Linha de nylon

Na Pesca de Praia normalmente utiliza-se linhas de bitolas mais finas para a linha principal e no arranque e chicote utiliza-se as linhas de bitola maior. Isso porque os elementos naturais como vento e correnteza exercem influência sobre o posicionamento da linha. Uma linha de bitola mais fina sofre menos com a ação desses elementos, permitindo que a linha, e conseqüentemente a isca, fiquem posicionadas a espera do peixe, por isso é comum observar na Pesca de Praia linhas de .15mm e .16mm. Para permitir o arremesso da chumbada utilizam-se linhas de maior bitola variando entre .30mm e .50mm. Para iniciar indico uma linha .15mm ou .20m com arranque .30mm e chicote 0.40mm. As pernadas, também em linha de nylon, podem ser confeccionadas em linhas 0.30mm ou 0.35mm.

Fio Elástico

Comumente chamado de Elastricot, este é um artifício utilizado para segurar a isca no anzol. Na Pesca de Praia, a isca pode se soltar na hora do arremesso e então utiliza-se o Elastricot para evitar a saída da isca do anzol.

Caixa de Pesca

Utilizada para levar a tralha de pesca para a praia. Podem ser utilizadas as caixas com partições internas e vários níveis para alocação da tralha de pesca.

Alicate

Utilizado para manusear alguns acessórios metálicos e realizar cortes em situações de acidente com os anzóis. É muito importante ter na tralha um alicate de bico, de corte, etc.

Espera

Espera é o equipo que permite apoiar a vara enquanto se executa o manuseio da isca, ou se espera a fisgada do peixe. Normalmente a espera fica enterrada na areia. Existem vários tipos de espera, cano plástico, alumínio, etc.

Secretária

Utilizada para apoiar os materiais para manuseio da isca, além das próprias iscas a serem preparadas para a iscagem. É um equipo muito útil na Pesca de Praia.

Tesoura e faca

Utilizadas para manuseio da isca e cortes em arremates de nós, etc.

Caixa térmica

Utilizada para armazenagem da isca e do peixe que se vai levar para casa, da água para se hidratar e o alimento.

Toalha de Pano

Utilizada para limpar as mãos após manuser a isca evitando que pedaços de isca entrem em contato com a vara e molinete.

Como mencionei, esse é um kit para iniciar na atividade. Com o passar do tempo os materiais vão sendo adaptados as necessidade do pescador, os tamanhos das varas, os tipos de molinete vão sendo escolhidos de acordo com os objetivos da pescaria: de fundo, de beirada, pedras, etc.

Por ser uma prática de praia, muitas vezes o pescador fica exposto ao Sol, portanto alguns cuidados são necessários como um bom filtro solar, boné, óculos polarizados, muita água para hidratação e alimentos leves como frutas, isso para proporcionar um dia tranqüilo de pescaria sem dissabores posteriores devido a queimaduras solares e outros perigos da exposição desprotegida ao Sol.

Agora é só juntar a tralha e seguir direção a paria e passar horas agradáveis com os pés na areia. lembrando de sempre praticar uma pescaria segura e sustentável, com todo o respeito que a natureza merece.

Nos vemos na areia!

Colaboração: diego_rj (membro do Fórum Pesca de Praia)